Dizem que os mortos não voltam...
Voltam sim. E por que não?
Os corpos daí nos soltam,
Como às aves o alçapão.
Voltam sim. E por que não?
Os corpos daí nos soltam,
Como às aves o alçapão.
António Nobre
("Parnaso de Além-Túmulo" psicografia de Francisco Cândido Xavier)
("Parnaso de Além-Túmulo" psicografia de Francisco Cândido Xavier)
A morte é essa companheira que niguém quer ter ao seu lado. Está cheia de
mitos e de histórias de horror. Os materialistas não a querem encarar. Os
espiritualistas também a temem, de um modo geral. O Espiritismo matou a morte,
demonstrando que ela não existe, ao provar a realidade da comunicação com os
falecidos. Como é morrer? É precisamente isso que os espíritos (falecidos) nos
vêm contar.
Quem não tem mêdo da morte? A maioria teme-a, qual papão irremediável nas
nossas vidas. Os crentes, agarram-se a uma ideia de imortalidade, uns mais
convictos que outros. Quase sempre é uma fé cega, aquela que transportam, a
vacilar nos momentos decisivos. Os não crentes na imortalidade da alma fogem
desse assunto. No entanto nem uns nem outros poderão evitar o encontro final com
tão estranha quanto inevitável situação: a morte!
Aparentemente é assim, tudo acaba com a morte, não mais se vêem aqueles que
partiram e a amargura vai tomando conta das nossas emoções. Pura ilusão dos
sentidos materiais.
O homem, habituado a viver apenas dos seus cinco sentidos, desconhece aquele
outro mundo de onde veio e para onde tem de retornar - o mundo espiritual. Em
relação a este assunto, é qual cego a atravessar uma rua. Vai tateando, sabendo
o que o espera um dia, mais tarde ou mais cedo, mas prefere ignorar esse
encontro fatal.
O espiritismo, surgido em meados do século XIX, veio matar a morte, mostrando
a origem, natureza e destino dos espíritos, bem como as relações existentes
entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Foi um escândalo à sua época, mas
não havia volta a dar. As evidências, as provas, vertiam qual fonte de água
ininterrupta, ao ponto dos mais célebres cientistas se terem vergado perante as
evidências.
Ainda hoje assim acontece. Cientistas de todos os cantos do mundo, estudando
perplexos as evidências e provas que o espiritismo apresentara há cerca de
140 anos. Bastará referir o caso do Dr. Raymond Moody Jr, nos EUA, com centenas
de casos catalogados e altamente credíveis, de pessoas que tiveram morte
aparente e contam o seu périplo pelo mundo espiritual, enquanto "estavam
mortos". A TCI (Transcomunicação Instrumental - comunicação com os mortos
através de aparelhos electrónicos), a TRVP (Terapia Regressiva a Vivências
Passadas) são outras técnicas, fora do âmbito espírita, que hodiernamente
estão a confundir os investigadores e a "empurrá-los" para uma verdade
insofismável: a morte não existe - a vida continua.
Que se passa comigo?
Francisco era um homem como tantos outros, tinha família e vivia do seu
trabalho. Um dia, de regresso ao lar, sentiu-se mal. Levado ao hospital, viria a
falecer passado um certo tempo. Um caso banal de morte devido a problemas
cardíacos, num homem que já entrara na madureza da vida.
Estávamos um dia numa reunião de desobsessão (atendimento e esclarecimento de
espíritos sofredores, por intermédio de um médium), quando ele se manifestou.
Vinha amargurado, antes revoltado que com maus instintos, pois não compreendia
porque é que a família não lhe falava. Identificou o seu lar, local de
residência, dizendo ter estado doente, mas que já se sentia melhor (não se
lembrava de ter morrido). De volta a casa, falara com familiares, mas niguém
lhe respondia. Ele ouve-os a todos, a todos interpela, mas, ninguém lhe
responde. Não entende tal procedimento por parte daqueles que dantes muito o
amavam.
Induzido à regressão de memória, relembrou o leito do hospital, mas não se
recordava de lá ter saído. Depois de algumas dicas subtis acerca da vida para
além da morte, começou a entender o seu estado de desencarnação (fora do corpo
de carne). Ficou espantado e não queria acreditar que "tinha morrido",
pois tinha arquivado na sua mente que após a morte iria para o céu, o purgatório
ou o inferno (era o que tinha aprendido). Apenas o facto de se estar a
manifestar num corpo feminino (o médium era uma senhora) o fez confirmar de que
de facto aquele corpo não era o seu. Dizia não se lembrar de nada, apenas que
tinha ido para casa e niguém lhe falava . Agora entendia o porquê daquela
situação, embora um pouco atordoado pelo inesperado da revelação. Estavam em
dimensões diferentes e aquela onde ele se encontrava era inacessível aos
sentidos da visão e da audição carnais.
Como este, existem milhares e milhares de casos mais ou menos diferenciados e
que diariamente acontecem nos centros espíritas. A grande maioria nem se
apercebe do momento da morte, tamanha é a naturalidade de tal evento, que não
traz qualquer tipo de sofrimento.
Aconselhamos vivamente a leitura de "O Livro dos Espíritos", no seu
capítulo III, para mais pormenores sobre esta temática, bem como "O Livro dos
Médiuns", ambos de Allan Kardec. Indispensável é a leitura do livro "O
Céu e o Inferno" também de Allan Kardec, onde descreve com muita propriedade
como é morrer e as sensações das pessoas após a morte, de acordo com o seu
estado evolutivo.

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